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UMA LIÇÃO DE VIDA

Edir Meirelles (*)

 Messody Benoliel é um nome que terá de ser lembrado quando do levantamento das manifestações plástico-visuais da cultura dos últimos tempos. Versátil e versada, a poetisa ziguezagueia pelos mais variados campos poéticos: haicais, sonetos (mestra neste gênero) e tembém pela prosa. Não se pode deixar mencionar outras de suas inúmera habilidades no uso do idioma de Fernando Pessoa: cordelista, composituora e trovadora de grande fôlego.

Nenhum crítico ou ensaísta verdadeiramente cônscio de suas responsabilidades literárias poderá olvidar a obra desta Poetiza com P maiúsculo. E para complementar minha assertiva, a autora está agora no prelo com o novo livro IN VERBIS. Uma obra com temas variados, versos libres e descontraídos. Versos livres, mas conectados com muito rítimo, balanço agradável e melodioso. Sim, Messody é melódica e profunda na simplicidade do seu versejar. Encarna com fidelidade o espírito de sua época: apaixonada pelo que faz. envolvida nas causas artísticas, possui uma visão além dos horizontes comuns.

O universo cultural da poetisa não comporta um olhar rápido. Ao contrário, requer um estudo agudo e meticuloso. Suas vertentes são variadas e complexas. Pretendo me ater apenas à In Verbis.

Messody é uma escritora apaixonada. Vive a arte pela arte. Quer na literatura onde flutua com desenvoltura, quer na música onde é também virtuosa, pois é cantora de múltiplos recurso. Seus versos são sonatas que encantam sempre. São acordes que envolvem o leitor e prendem-no pela audição, pela visão e, acima de tudo, pela alma.

Sua vibração explode encantado nos mais diversos momentos de gozo artístico: na expansão das centelhas criativas e no exemplificar com o poema que abre e dá título à obra.

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Gozo comico mesma

no momento exato

e quando em prazer

me desmancho

em poesia me (des)faço

.

Seu erotismo tembém se manifesta vibrante, sedento e sedutor, a enlaçar o amante e dá de si tudo o que for possível. É a amante despojada a se questionar na busca da perfeição: "Dei tudo de mim?" (Em Dúvida Matinal).

Eros passeia por suas páginas poéticas, na busca ansiosa do ser amante e amado. São versos como que produzidos em estado transcendental, momentos fulgurantes ou instantâneos eternizados através de uma câmera invisível:

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Teus Olhos

Mergulho nos teus abissais

ólhos escuros. Magia pura.

Quando é noite bem escura,

São eles os meus guias noturnos.

Lúdicos e plenos de segredos,

a perfurar meu corpo, meus desejos.

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A autora é questionadora, engajada na vida e no viver. Vive que tudo terá um fim. Também a morte, tão esperada e em antítese, tão repudiada, está sempre na espreita do ser humano que sonha com a eternidade. A senhora da Ampulheta e das Vidas é cantada e decantada (in Tempo Veloz).

Seus poemas transmitem a arte do poetar. Mas acima de tudo, são lições de vida, da vivência enérgica e do amor. Um filosofar sazonado, impregnado de sabedoria. A poetisa é mulher madura e amadurecida, calcinada na busca incessante que sinaliza os itinerários árduos a serem palmilhados, num aprendisado permanente e eterno na busca do aperfeiçoamento do caminhar milenar da humanidade. E assim ela sentencia:

"Ser idoso e ser feliz, não é meta de aprendiz"

O cenário está posto. A artista está prestes a entrar em cena. Afinal, somente o leitor dará o aplauso definitivo.

Vila de Noel, RJ, 6 de março de 2002.

 

(*)- Poeta, romancista, contista, ensaista, Presidente do Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro (SEERJ) para o período de 2001 a 2004.

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